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Entrevista com o "Mister" Paulo Dias
Paulo Dias - Os projectos estão desde sempre traçados, quem pensa trabalhar com crianças com estas faixas etárias, tem que ter bem presente que o seu desenvolvimento físico tem que ser acompanhado pelo desenvolvimento intelectual e social, é certo que as vitórias são muito importante, mas mais importante ainda é a sua dedicação à escola, é fundamental que os atletas tenham um comportamento equilibrado entre a sua prestação escolares e desportiva.
Esta actividade pode dar às crianças um complemento muito importante para a sua vida, nesta sociedade moderna cada vez mais existe a necessidade de trabalhar em conjunto, o desporto colectivo isso proporciona;
O gosto pelo futebol e principalmente pelo GDR, é uma batalha completamente ganha, estas crianças aderiram de corpo e alma ao projecto.
Este projecto tem perto de 3 anos, as crianças que nos chegaram pela primeira vez aos treinos não conheciam a cor da camisola, o símbolo, o próprio estádio. Com o decorrer dos anos, passaram a gostar e a defender o GDR como qualquer um de nós. Por esta perspectiva (quanto a mim a mais importante) os projectos estão bastante conseguidos, cada vez existe mais crianças nos variados escalões e que “rebocam” também familiares que estavam completamente desligados do clube.
O amor à terra, ao clube e ao desporto é um objectivo que está sempre presente nos nossos objectivos, este está e continuará a estar dentro do nosso projecto.
No entanto as ambições também passam por lutar pela vitória em todos jogos que são disputados. Estas são bastante importantes, dão auto-estima quer às crianças quer a quem com elas trabalha. Quando as derrotas surgem analisamos em conjunto o porquê. Como sabemos durante a nossa vida perdemos mais do que aquilo que ganhamos, logo estamos a preparar o futuro, estamos a aprender a perder, porque ganhar toda a gente sabe.
2 – Muito criticada na época passada em relação às camadas jovens, o que espera desta nova direcção do GDR Canas de Senhorim a nível de apoio e infra-estruturas?
Paulo Dias - Penso que todo o apoio é sempre bem-vindo, apesar de termos sempre por perto um director que está directamente ligado à direcção, as próprias crianças comentam que “ não sabem quem é que manda no Desportivo”.
O Desportivo deveria ser mais a arrojado em relação à formação, não me refiro só ao futebol mas também a outros desportos. As crianças são o futuro da nossa terra, no entanto tudo isto dá muito trabalho, sendo por vezes difícil arranjar alguém que esteja disposto a ajudar.
Sem dúvida que gostaria de proporcionar mais momentos de convívio entre todos os elementos da equipa, gostaria que todos almoçassem juntos pelo menos uma vez por mês, no entanto tenho consciência que tal é impossível, ficaria muito dispendioso para o clube.
Ao nível das infra-estruturas e apesar de existirem 2 campos existe colisão de horários no campo pelado em vários escalões.
A boa vontade, o gosto de ensinar, e a paixão pelo futebol fazem com que tudo seja resolvido com bom senso.
3 – Trabalha na área de formação de novos talentos. Que relação com os jogadores é no seu entender a mais adequada?
Paulo Dias - Sem duvida que trabalhar com estes escalões não é o mesmo que trabalhar com seniores, é preciso ter alguma compreensão, alguma paciência para compreender as necessidades e dificuldades que por vezes aparecem, a minha formação profissional ajuda bastante, no entanto com o trabalho do dia-a-dia as pessoas apercebem-se disso, têm que ter paciência e gosto de ensinar.
Já não é o primeiro, segundo e terceiro pai que em conversa refere que não tinha paciência, no entanto alguém teve que ter paciência com eles porque a grande maioria também jogou futebol e fez a sua formação no GDR.
4 – Fala-se sempre da falta de apoio por parte dos pais e do público em geral nos jogos e treinos principalmente nas camadas jovens. Diz-se até que o apoio do público se baseia apenas nos seniores. Sente o apoio dos pais e do público nos treinos e jogos?
Paulo Dias - O apoio dos pais é uma realidade, todos os anos têm aparecido pais a ajudar naquilo que podem e sabem fazer, no entanto existem outros que nada ajudam.
A equipa de infantis vai para o seu terceiro ano de trabalho, sem dúvida que durante o primeiro ano (escalão de escolas) foram bastante apoiados pelos familiares, não havia jogo onde não estivessem bastantes pessoas a apoiar a equipa fazendo claque. Com o avançar dos anos essas claques vão rareando, principalmente fora vai diminuindo, a época anterior demonstrou isso.
Com o apoio ou sem ele o jogo é realizado, os seus intervenientes batem-se sempre até ao último minuto.
Este ano no primeiro jogo fora (Vitória em Viseu) a equipa foi bastante apoiada.
Penso que o apoio do público não se baseia apenas aos seniores, quando posso vou apoiar ao domingo à tarde e vejo com alguma tristeza que os tempos mudaram ou estam a mudar, existem outras ofertas que as pessoas acabam por escolher a que as retira da festa do futebol ao domingo à tarde (que saudades….).
Penso que se trata de um problema social.
5 – Para terminar imagine-se presidente do GDR Canas de Senhorim por um dia. Que medidas e decisões tomaria de imediato?
Paulo Dias - È uma pergunta difícil de responder, olharia mais para os escalões de formação, criaria ou tentava criar uma actividade para as meninas que sempre foram tão esquecidas, tentaria formar uma escola de iniciação ao badmington, ou então uma escola de iniciação à patinagem artística e porque não uma escola de iniciação ao andebol.
È certo que as raparigas também podem jogar futebol e competir nestes escalões com os rapazes, mas penso que ainda existe algum preconceito relativamente a este problema, no entanto ele vai desaparecendo, já não é a primeira vez que em equipas adversárias isso acontece.
Mas também sei que se alguém apresentar este projecto à direcção do Desportivo esta o apoiará como fez com o nosso.
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